A edição de outubro de 2024 do PHMS consolida o progresso observado no último inquérito, com uma evolução modesta de diversas métricas. Enquanto o mercado de compra e venda apresenta um quadro marcadamente positivo quer em termos das condições atuais quer das expetativas futuras, o mercado de arrendamento continua a ser pressionado pelo forte desequilíbrio entre oferta e procura.
Em relação à procura por parte de novos compradores, o indicador voltou a avançar, passando de um saldo líquido de +2% para +5%. Do lado da oferta, o saldo líquido relativo às novas instruções agravou consideravelmente, ao atingir -15% em outubro. Este declínio fica a dever-se, sobretudo, ao Porto, onde a leitura deste indicador passou de -10% para -35%.
A métrica do volume de vendas também fortaleceu, ao atingir +7% em outubro (+2% no mês anterior). Contudo, o resultado nacional esconde assimetrias, dado que Lisboa foi a única região com uma leitura positiva (+27%). No Porto o saldo líquido foi de -17% e no Algarve de -28%. Em termos futuros, as expetativas de vendas continuam consistentes com uma recuperação da atividade nos próximos meses, com um saldo líquido de +13% (ligeiramente abaixo dos +17% em setembro) dos inquiridos a antecipar um aumento nas vendas.
Ao mesmo tempo, os preços continuam a crescer. Em outubro, atingiu-se um saldo líquido de +27%, marginalmente acima dos +24% do mês anterior. As expetativas sobre os preços para os próximos 3 meses continuam positivas, devolvendo um saldo líquido de +18% em outubro. Este é o quinto mês consecutivo de leituras positivas neste indicador. Em termos regionais, o Porto exibe a leitura mais robusta, de +28%.
No mercado de arrendamento, a procura por parte dos inquilinos permanece elevada, com um saldo líquido de + 31%, alinhado com os resultados de setembro (+32%) e agosto (+33%). As instruções por parte dos senhorios continuam, contudo, firmemente em terreno negativo, com um saldo líquido de -14% (-12% no mês anterior). Sem grande surpresa, consequentemente, as rendas continuam a subir, como evidenciado pelo saldo líquido de +19% no mês em análise, sustentando alonga tendência de subida. Apesar do desequilíbrio entre oferta e procura, surpreendentemente, as expetativas relativas às rendas caíram para zero, uma mudança notável face aos indicadores marcadamente positivos dos últimos meses.
Ricardo Guimarães, diretor da CI:
“A recuperação do mercado já não é uma mera projeção e está efetivamente em curso. O Índice de Preços da Confidencial Imobiliário alcançou uma variação homóloga de 11,5% em outubro, em forte aceleração face aos mínimos de 7,5% registados em julho. Ao mesmo tempo, as vendas deverão ter crescido mais de 20% face ao final de 2023, de acordo com o SIR. Esta mudança está a ser rápida e é basicamente o resultado do desequilíbrio que existe no mercado, nomeadamente devido à falta de oferta. O mercado deverá enfrentar uma forte pressão nos próximos meses, com os preços a crescerem a partir de uma base já muito elevada.”Tarrant Parsons, Senior Economist do RICS:
“Apesar do crescimento económico no 2º trimestre ter sido ligeiramente inferior ao previsto, as perspetivas para Portugal permanecem sólidas, esperando-se que a procura interna aumente, estimulada pela redução dos impostos sobre o rendimento e pelo apoio adicional aos pensionistas. A aprovação do Orçamento de Estado 2025 reduz a incerteza como é visível nas métricas deste inquérito. No entanto, a instabilidade geopolítica e económica continua a ser um risco fundamental, e a posição de Trump relativamente à política comercial poder ter efeitos negativos nas exportações europeias.
Fonte e autoria: RICS/ Confidencial Imobiliario
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